Quero. Não quero.
Desejo. Não desejo.
Louca. Lúcida.
Viva. Morta.
Ela passeava por seus paradoxos e antíteses como quem se regozija ao sentir a chuva gelada bater no corpo.
E isso lá importa? Pensar demais acaba por destruir as coisas. Ah, a gente pensa muito, grita muito, reclama muito e vive pouco. Sente? A gente sente?
Não estou para ninguém hoje, estou para mim. A minha única companhia, a minha melhor amiga, eu mesma em meu esplendor. Independente do mundo, sem depender do mundo para me ver.
Nós, mulheres, somos como a própria natureza, sabe? Nascemos belas, pelo menos, de algum ponto de vista. Nos desenvolvemos. Somos machucadas, feridas em nossa beleza e novamente encontramos um meio de sobreviver. Todas as vezes.
Então, pra que querer ser algo que não sou? Olha que dádiva, eu sou uma mulher! Eu posso ser o que eu quiser. Eu posso ser atriz, bailarina, professora, secretária, escritora. Eu posso ser amiga, namorada, mãe. Eu posso gostar de meninos. Eu posso gostar de meninas!
E por que não? Por que não gostar de meninas?
Ah, é porque deveras eu não gosto de meninas. Talvez seja esse o motivo da tristeza toda, gostar de meninos.
Mas hoje, ele que vá para o inferno!
Hoje eu sou minha!
E continuou a caminhar enquanto as gotas geladas batiam em sua face. Foi a melhor tarde possível, foi a tarde dela. E depois disso, nunca mais ela se deixou pensar nas feridas que motivaram "a sua tarde". Como um elemento da natureza que era, sacudia as cinzas para que elas caíssem no chão e sobrevivia. Cada vez, mais bela ainda.
Um comentário:
'...como nada a pudesse impedir, ela continuou, linda assim. E de repente, amores, as coisas, as gotas de chuva - o mundo era todo dela.'
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