
"You're not allowed
You're uninvited
An unfortunate slight."
"Não! Não! Você nunca entenderia. Eu e você nunca vamos ficar juntos."
Ah, a dor aguda do desamor. O ter e não ter. Como admitir para o mundo aquele amor infindo que nunca seria dela? Aquela dádiva em forma de gente que insistia em enlaçá-la em seus braços como se fosse uma criança que precisa de cuidados. Como aceitar esses cuidados que se resumiam em preocupação fraterna?
"Não, você nunca entenderia como esse amor nasceu. E como ele vive."
Num arroubo de paixão e agonia atravessou os portões de casa e foi parar na rua. Sentindo a chuva lavar seu corpo, o peso daquele sentimento em seu coração, o sangue correndo nas veias como a lhe dizer que desperdiçava algo deveras precioso. Pensava nele com tal intensidade que não sabia mais como controlar as lágrimas que desciam sem cessar. Amaldiçoava o dia em que o conheceu olhando para o céu cinza e mesmo assim sentia que sem ele nada fazia sentido.
"Como posso te dizer isso que se passa em mim se você não quer saber? Como posso te mostrar esse amor que você não quer pra si? Como posso arriscar perder esse ínfimo pedaço do seu ser que sem saber você me deu?"
Era uma escolha dura. Se o amor não dói, isso que ela sentia, que ela pulsava, era o que mesmo?
O que escolher? O sofrimento silencioso, os ouvidos emprestados a ouvir histórias que machucam como punhais cravados na pele, os sorrisos falsos, estar ciente de que os abraços são dela, mas os beijos de outra ou a verdade dita, o distanciamento necessário, da mesma forma o sofrimento? Abruptamente, a decisão tomou corpo e infiltrou-lhe os pensamentos.
"Não. A verdade não é permitida. Não me é permitido espalhar esse desgosto que trago comigo. A cada dia cabe seu mal, a cada um cabe suportar seu fardo de dor. E essa dor, assim como esse amor, é minha."
Calmamente retornou ao seu quarto, desligou o rádio, sentou na cama, parou de chorar. A chuva também parara, a noite esquentava do lado de fora. Não eram as roupas molhadas que lhe esfriavam o corpo, nela algo perecera. Encarava a parede e sentia que tudo era inverno agora.
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